Le Vallée de la Douceur
Um reencontro impulsivo. Ambos sabiam das improbabilidades estatísticas, e parte de nós duvidou mesmo até o último segundo – meras trevas de incerteza que como relâmpagos negros antecederam a aurora gloriosa de seu sorriso. Sua silhueta esguia o sustenta como a um altar de marfim que paira no horizonte banhando de luz e néctar as minhas lembranças. O hiato cruel que se formou entre nós se esvai indefeso e impotente conforme nos aproximamos – não me lembro como resisti ao impulso de correr em sua direção. Seu corpo ainda delimita um espaço leve e delicado entre meus braços, um pedacinho tangível e perfumado do próprio céu. O abraço frágil, e ainda quase tenso, é como uma última evidência física, a prova sensorial que confirma o inusitado à incrédula razão. Aninha carinhosamente em seu peito as flores que lhe dei, com a gentileza de não ligar que eu as tenha colhido em seu próprio jardim. Acolhe-me em seu sótão no conforto aconchegante de sua eloqüência, conta-me do mundo lá fora com a cumplicidade de uma saudosa irmã, aceita-me achando graça nas minhas confusões. E nesse frugal desjejum de nossos corações, redescobrimos o encanto de ser e estar. Existimos, mas nenhuma prece é longa demais – o que também acontece com certas canções. E afinal, com a elegância de quem escapa de bandidos nos passos de uma doce valsa, você me guiou de volta a mim mesmo enquanto eu sonhava acordado. Tivemos que esperar para celebrar, o tempo chegou e foi embora, e agora, os minutos que não me passam aí ao seu lado de repente soam opacos por aqui.
Por onde estivemos esse tempo todo?
Escrito por Leandro às 15h17
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