Vitor e Simone
-Ops! Desculpa, moço. -Tudo bem. Filinha, né? -Ah, só tem esse banheiro? -Acho que sim. Mas até que está indo rápido. E aí, tudo bem? -Hã? -Está gostando da festa? -Um-hum. Quando eu cheguei estava tocando pagode, quase que eu fui embora. -Pois é, está bem eclético. Mas ainda bem que você ficou, né? -Ainda bem por quê? -Ah... assim a gente pode se encontrar aqui, se conhecer e... -E minha vida jamais será a mesma. -Hah! Não sei, você é quem diz. Tomara que não, né? -É, não sei. Por enquanto, nesse momento, ao menos você está colaborando para que a espera pelo banheiro seja menos entediante, o que já está ótimo. -Ah, entendi. Estou aqui para distrair você. -Isso, sem expectativas. Se todo homem que eu conhecesse tornasse minha vida menos entediante, seria realmente ótimo. -Sua vida é entediante? -A sua não? -Hm. O que você faz? -Como assim? -O que você faz da vida? -Você está fingindo interesse ou somente sentindo a obrigação de preencher o silêncio desconfortável? -Acho que é só a velha e banal curiosidade. Superficial demais para você? -Não, estou acostumada. -E não acho o silêncio tão desconfortável assim. -Eu também não. -E então, o que você faz? -Sou psicóloga. -Que legal! -Não, não é. -Hah! Você é uma figura! Como disse mesmo que era seu nome, desculpa... -Eu não disse. Olha lá, é a sua vez. -Imagina, pode ir na minha frente. -Ah, obrigada. -Claro! -Prontinho. -Espera aí, antes que eles toquem axé e eu corra o risco de você sumir da minha vida pra sempre, me diga seu nome, pelo menos. -"Pelo menos"? É só isso que você quer de mim? -"Sem expectativas", lembra? Além do mais, esse é um belo começo. -Na fila do banheiro? É isso que você vai contar pros nossos netinhos? -Rss... não, vou inventar a saga mais fantástica que eles jamais imaginaram. -Ah, você vai aliviar o tédio deles também, narrando épicos românticos? -Por que não? -Bem, você tem disposição, bom-humor e imaginação. Se for talentoso... -Em algumas coisas. Me diga, preenchi os pré-requisitos para saber seu nome? -Sim, sim. Parece inteligente, é simpático, e bonitinho, até. -Você é linda demais. Seus olhos... -Não começa que você estava indo bem até agora. -Ok, ok. E então? -Então o quê? -Sou Vitor. -Simone. -Muito prazer, Simone. -Pois é, tomara que sim. Olha, Vitor, vamos nos embriagar: torna todo o cortejo menos cansativo, e quem sabe a gente até dance um pouco.
Escrito por Leandro às 14h26
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